Sobre a virtualização da aprendizagem


Este post foi gerado a partir de um e-mail que respondi para minha colega na UPF, Nathalia, sobre a relação entre o PEAD (clique aqui para ter acesso ao texto) e o Mutirão pela Inclusão Digital. Posteriormente amplio, ou não rsrsrs
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Oi Nathalia, aqui vão as respostas meio que como um brainstorm, não sistematizadas, mas que apontam minimamente para minhas concepções acerca de tuas questões.
>>> Qual foi a principal constatação na comparação entre PEAD e Mutirão?
Quando realizamos esta aproximação entre a experiência do PEAD e o direcionamento formativo do Mutirão pudemos identificar que os dois priorizam o protagonismo e a autoria, fazendo da tecnologia um meio para a construção colaborativa do conhecimento, não necessariamente conhecimento teórico, mas todo e qualquer conhecimento necessário à consolidação do ser humano como ser social e como cidadão de uma sociedade conectada.


>>> O que muda para o aluno e para o professor no processo de virtualização da educação?


Absolutamente tudo, pq a virtualização da educação rompe com a lógica que vivemos na Escola (com "E" maiúsculo) e na Universidade (com "U" maiúsculo tb). Amplio: O modelo de Escola e a Universidade que se apresenta tem, pleo menos, 500 anos, talvez mais se buscarmos a história da educação europeia, o que, logicamente está descontextualizado das demandas e da realidade da sociedade contemporânea.Detalho: Em uma era baseada no excesso (de informações, de possibilidades de conexão entre as pessoas, de desafios, de possibilidade de atuação profissional), extremamente dinâmico e flexível e que permite a projeção do ser humano para qualquer local do planeta sem deslocamento físico, colocando, portanto, pessoas com diferentes idiomas, culturas, ideologias, lógicas, conhecimento, competências, habilidades, etc, etc, é ingenuidade pensar que podemos cobrir todas as demandas que se apresentarão com o que vemos em nossos currículos rígidos, fechados e pre-determinados. Assim, temos de passar de uma lógica baseada no ensino de conteúdos (não na aprendizagem ;-) ), para uma lógica de desenvolvimento de habilidades para que os sujeitos possam ter possibilidade de aprender aquilo que for necessário, quando for necessário.

>>> Até que ponto as linguagens hipermídias auxiliam o aluno no processo de aprendizagem?

São várias as caraterísticas destas linguagens (que não dependem somente dos computadores e da web, mas são potencializadas por estes recursos), dentre elas destaco:O acesso e a geração de qualquer assunto em qualquer formato;A possibilidade de se construir colaborativamente deste resultado de criação;O potencial de agregação social, fundamental para aprendizagem;

>>> Qual é a principal dificuldade no processo de virtualização da  aprendizagem?


O rompimento com a lógica verticalizada e hierarquizada instituída e aceita por alunos e professores e o reconhecimento de que se aprende em qualquer lugar, a qualquer momento e com qualquer pessoa.

>>> O senhor acredita que ainda chegará o ponto em que o virtual e a aprendizagem não serão mais separados?

Depende, se estamos falando das situações formais de ensino, temos um longo caminho a ser percorrido por envolve concepção de educação, repensar a lógica de currículos, formar professores, conectar Escolas e Universidade com banda larga (de verdade), etc, etc
Agora, se estamos falando do que já tem acontecido livremente na web a partir da articulação de pessoas dispersas geograficamente mas conectadas no ciberespaço, onde jovens de 13 anos realizam projetos complexos e avançados de robótica livre, o que envolve conhecimento de matemática, física, engenharia mecânica e elétrica, programação de computadores; ou de jovens que utilizam o site Khan Academy como um local de auxílio para o que a Escola não conseguiu ensina, já estamos vivendo a a todo vapor

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